2 de setembro de 2013

Um olhar peculiar sobre "Dom Casmurro"


Enquanto escrevia meus Delírios a propósito de uma fantasia erótica reli por acaso (existe isso?) o Dom Casmurro de Machado de Assis. Mais eu relia e trelia, mais me perguntava se por detrás daquele livro não se esconde o desejo, a fantasia, a pulsão - uma grande possibilidade - para a construção de um amor a três.

Fascinado pelo tema dediquei-me a imaginar como tudo poderia ter acontecido se Bentinho, Capitu e Escobar, os três adolescentes da história, não se limitassem à dualidade e se entregassem à multiplicidade. Nessa hipótese, ao invés de ciúmes, traição, culpa, mentira, hipocrisia, exclusão... o livro teria de abordar o amor mesclado com a amizade, a camaradagem, cumplicidade, lealdade, inclusão, e claro, um erotismo redobrado.

Se for correta a hipótese de que os ciúmes doentios de Bentinho eram dirigidos tanto a Capitu quanto a Escobar, então essa suposição pode jogar alguma luz sobre um intrigante enigma literário brasileiro do século XIX. A vida reuniu os três adolescentes, mas estes não deram chance para a transgressão, usufruindo e concretizando uma grande paixão a três, embora houvesse devoção, encanto, amizade e amor de sobra entre eles; faltou-lhes coragem e atrevimento, pois percorriam um campo minado pelo preconceito.

Uma sessão de cinema



Cinema Paradiso é um lindo filme (direção de Giuseppe Tornatore; Itália, 1988) que retrata a “sétima arte” como a maravilha que seduz pessoas. Em homenagem ao filme e ao cinema eu denominei justamente de Cinema Paradiso, uma página onde pretendo “exibir” filmes que retratam o amor a três.
  
Ali não está em questão a qualidade dos filmes, diretores, roteiros, atores, etc... No “Festival” que trarei para este espaço, importa apenas escrutinar as relações a três. Como está dito no capítulo Proibido Proibir dos meus Delírios, “proponho-me a (abordar) os filmes unicamente sob a ótica das tríades, da sua construção, realização, negação ou impossibilidade... Procuro aprofundar o entendimento sobre as paixões que arrastam três seres humanos para aventurar, desfrutar, rechaçar ou para se confrontarem com as interdições da vida em comum.” 

O Cinema Paradiso abriu suas portas inicialmente com uma sessão dupla. O primeiro filme - Prazer a três (direção de William Tyller Smith; Estados Unidos, 2006) – é exemplar no que diz respeito às tríades. O segundo - Dieta Mediterrânea (direção de Joaquin Oristrell; Espanha, 2009) – é uma saborosa aventura pelo universo de um “casal de três”. 

Agora, novos filmes se somaram a esse Festival de Filmes do Amor a Três:

Os sonhadores (direção de Bernardo Bertolucci; França/Reino Unido/Itália, 2003) que nos remete a uma Paris efervescente, em maio de 1968, quando certamente seria bem apropriado o questionamento: "Sem tesão não se faz revolução".